2016 07 13 sintaf 2Não podem ser os trabalhadores a pagar os erros da administração”. É uma das conclusões do encontro das comissões de trabalhadores de dez instituições financeiras.

Por Diogo Cavaleiro | 13 Julho 2016, 11:37

Os bancos que reduzem pessoal por rescisões ou despedimentos não devem poder colocar colaboradores subcontratados nos postos de trabalho deixados vagos. É isso que dez comissões de trabalhadores pedem ao Governo numa moção que assinam em conjunto.

Novo Banco, Caixa Económica Montepio Geral, Caixa Geral de Depósitos, Banco Popular, Santander Totta, BPI Bankinter, BBVA, BIC e Oitante são as dez instituições financeiras cujos trabalhadores subscreveram, por unanimidade, a moção aprovada esta terça-feira, 12 de Julho.

“Solicitar ao Governo que proíba a substituição de trabalhadores bancários por trabalhadores subcontratados nos bancos em que haja despedimentos ou processos de rescisão”, indica a moção enviada às redacções sobre o encontro que visava, entre outros aspectos, “analisar a situação sócio-laboral na banca portuguesa”.

 

Muito dos aspectos referidos no comunicado dizem respeito a este tipo de processos de rescisões, que foi extensiva a todo o sector da banca em Portugal – e nas economias desenvolvidas.

Um dos pontos acordados pelos órgãos representantes dos trabalhadores é o de “sensibilizar todos os grupos parlamentares para estudarem com a  brevidade possível alterações ao Código de Trabalho que impeçam o despedimento fácil e o assédio moral” mas também que não permitam que os bancos executem “as hipotecas dos trabalhadores bancários que foram vítimas dos processos”.

O processo de despedimento colectivo de 56 trabalhadores do Novo Banco foi o mais criticado recentemente dado que os visados, que tinham rejeitado as rescisões por mútuo acordo, foram proibidos de ocupar os seus lugares de trabalho durante o despedimento. A Autoridade para as Condições de Trabalho foi chamada a analisar e os trabalhadores pedem mesmo, na moção, que a ACT seja agilizada para que “sejam evitadas situações de imoralidade, ilegalidade e atropelos à lei”.

“Apelar aos órgãos de soberania, designadamente Presidente da República, Governo e Assembleia da República, para travar de imediato os despedimentos colectivos em curso na banca, já que os mesmos são ilegais e persecutórios. Não podem ser os trabalhadores a pagar os erros da administração”, indicam ainda os trabalhadores.

Só em 2015, foram mais de 1.000 trabalhadores a saírem dos quadros dos bancos, numa estratégia que reduz os espaços físicos onde estão presentes, com o fecho dos balcões, e que aposta na presença digital.

SINTAF-Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira.

Avenida Almirantes Reis, n.º 74 G - 1150-020 Lisboa

Telefone +351 218124992

Correio eletrónico: sintaf@sintaf.pt