Os interesses dos trabalhadores e do país exigem o reforço da CGD pública

As ingerências do BCE e da Comunidade Europeia na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e a continuação da sua partilha partidária entre o PS, o PSD e o CDS, visam desferir um profundo golpe nesta instituição bancária pública.

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As ingerências do BCE e da Comunidade Europeia na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e a continuação da sua partilha partidária entre o PS, o PSD e o CDS, visam desferir um profundo golpe nesta instituição bancária pública. Apesar dos múltiplos erros da gestão partidária ligada ao grande capital, tem sido ao longo dos últimos anos o banco que mais tem estado ao lado da economia nacional e que mais confiança merece dos portugueses.

Os processos distintos de recapitalização e de nomeação da nova administração estão a ser associados. Esta postura facilita a ingerência das instituições europeias e a ocultação dos reais objectivos, bem como dos perfis dos administradores propostos. Atitude geradora de vazios de gestão e descréditos enfraquecedores do banco público e dinamizadores de processo tendente à sua privatização.

No interesse do país exige-se uma clarificação urgente dos objectivos assumidos pelo Governo e pela administração proposta para a CGD, de forma a assegurar-se o reforço da instituição pública e a defesa dos interesses dos seus trabalhadores.

A CGD sempre esteve na mira voraz do grande capital

O SINTAF considera inquietante para o sistema financeiro Português e para os trabalhadores da CGD a indigitação de tal administração. Além de se anunciar a supressão de 2500 postos de trabalho, sem outro fundamento que não seja o de tornar a CGD mais pequena e mais pobre, não se dão garantias para a manutenção dos direitos dos trabalhadores. A designação para a administração do actual director-central dos recursos humanos do BPI, Tiago Ravara Marques, não auspicia bom futuro. Conhecido pela sua prepotência, atingiu o pódio dos campeões dos ataques aos direitos dos trabalhadores bancários, nomeadamente enquanto chefe da missão da APB nas últimas revisões do contrato colectivo do sector.

O actual governo do PS, em vez de inverter essa política vergonhosa de partilha da CGD por interesses ilegítimos, aposta numa administração do mesmo tipo e ainda lhe garante mais elevadas remunerações. Numa lógica inversa, mas igualmente escandalosa, equivalente à que assistimos por parte do então administrador da CGD Mira Amaral, que recebeu em 2004 uma reforma da CGD superior a 18 mil euros mensais por 15 meses de serviço, o agora indigitado presidente António Domingues, conforme veiculado pela comunicação social, já tratou de assegurar uma reforma antecipada. Por 27 anos de serviço e 59 de idade o gestor auferirá 100% do vencimento mensal de administrador do BPI para acumular com a choruda remuneração da CGD….

A CGD deverá manter como acionista único o estado, para melhor servir o país

A CGD sofreu com os erros de gestão e os favores ilegítimos e sofreu ainda mais por ser transformada em barriga de aluguer de outros prejuízos e interesses externos, como foram o BNU, em diversas fases da história das duas instituições, o BPN falido que teve de engolir com imensas perdas, a tomada de participações na PT o no BCP com elevados prejuízos, tal como com a venda de lucrativas empresas e posições (Caixa Seguros, HPP, participações na EDP, ZON, Cimpor, BCP), etc.

A CGD é o banco que mais apoio concedeu ao país e ao desenvolvimento da sua economia. Apesar da redução do crédito bancário, a CGD é a instituição bancária que mais crédito concede às empresas e às famílias, em 2015 concedeu cerca de 22% de todo o crédito atribuído pela banca. A CGD concedeu mesmo mais crédito em 2015 do que tinha concedido no início da crise, em 2007.

A CGD continua a fazer jus ao título de banco de confiança dos portugueses, tendo aumentado os depósitos em 2015 face ao ano anterior, apesar da taxa de poupança nacional ter diminuído no mesmo período. Mantendo os rácios de liquidez e outros rácios de capital dentro dos níveis exigidos, a CGD continua a ser, também por isso, o banco mais apto para suporte da economia nacional.

Lembremos que a CGD, apesar de ter tido uma gestão idêntica à gestão privada, tem dado um importante contributo para as receitas nacionais. Só na primeira década do século XXI a CGD entregou ao Estado 2.400 milhões de euros em dividendos e 1.250 milhões de euros em impostos (nenhum outro banco pagou tal valor…).

Por um futuro com uma CGD pública, ao lado do país e dos trabalhadores

Portugal precisa, para se desenvolver, de ter o controle de uma alavanca financeira forte. A CGD é essencial, como instituição pública, para o desenvolvimento da economia. Enquanto único acionista, o Estado deve financiar a CGD de forma a ultrapassar as dificuldades actuais e poder continuar o seu papel ao serviço do país.

A nova administração, nomeada pelo governo, deve obrigatoriamente prosseguir esses objectivos e garantir expressamente o respeito pelos direitos, pela participação e pela dignidade dos trabalhadores da CGD.

Lisboa, Agosto de 2016

SINTAF

SINTAF-Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira.

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